Educação: Professor, você é um príncipe! 👑 

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Tinha entrado em uma escola nova para cobrir o recesso de uma professora por um breve período de seis dias. Me assustei muito com o que vi, mas mantive minha postura e segui o meu trabalho como estive fazendo sempre desde que me formei.

Me assustei justamente pelo fato de termos professores com tanta agressividade (leia-se agressividade verbal), tanto acúmulo de impaciência e com uma grande falta de afetividade.

Voltando essa história para alguns meses atrás, fui chamado para trabalhar em uma sala de educação infantil da zona rural. Foi um choque muito grande para mim, já que nunca tive contato com uma escola da zona rural e nunca trabalhei com crianças de 3 e 4 anos. O tempo foi passando, eu fui me acostumando e fui moldando minha prática de acordo com a necessidade das crianças.

Convenhamos que é uma idade onde o aprendizado se dá com a observação do mundo, das ações, do conhecimento físico e dos jogos simbólicos, mas ainda sim falta um grande fator influenciador no processo de ensino-aprendizagem. As crianças, acima de tudo, precisam de amor. Elas precisam de carinho, precisam de estímulo, precisam saber que alguém se preocupa com elas e quer que elas aprendam de maneira natural e sem pressão.

Entrei na escola e fiquei observando. Professoras pegavam no braço dos alunos, os puxavam, gritavam tanto e sem motivo justificável. Não julgo ninguém. Mesmo porque, em minha prática, muitas vezes eu já gritei. Mas, tente fazer um teste, caro leitor educador. Cobre um pouquinho menos e dê mais amor. Brinque com as crianças, converse, abrace, as ajudem a comer e vestir. Não é tão difícil, você não ficará atrasado com o conteúdo programático e os resultados são visíveis. Não imediatos, mas com persistência, as atitudes mudam.

Digo isso pelo resultado que tive com o pouco tempo de trabalho nessa escola nova. A aluna mais complicada da sala acabou ficando comigo a maior parte do tempo, me abraçando, dizendo que eu estava lindo, ou que gostaria que eu fosse o pai dela, ou até mesmo que eu era um verdadeiro príncipe. Os outros alunos também corriam para me abraçar, pediam para eu ajudá-los com o quebra-cabeça ou com a massinha.


Não virei professor para ter muitas crianças gostando de mim, mas acredito que foi apenas um reflexo do que eu estava oferecendo. Eu estava dando amor e recebendo-o em uma quantidade muito maior – e o que é melhor: sem fazer esforço algum. 

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Aprendendo com os erros

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É um fato que as escolas atuais estão cercadas por avaliações formais. A nota é o que mais importa, o grito, a autoridade se torna superior e as relações sociais acabam se tornando escassas. Entretanto, tanto na vida, quanto na escola, aprendemos com o erro.

O erro é um meio de analisarmos um fato, uma afirmação incorreta ou atitudes desleais, tentando transformá-los em algo correto. Quando fazemos sempre certo, quando não erramos, não conseguimos pensar nas consequências que um possível erro poderia trazer para a sua vida. Com a percepção da incoerência, pensamos duas vezes no assunto, raciocinamos melhor e dificilmente iremos cometê-la novamente.

Na prática escolar é a mesma coisa. Todos enfrentam momentos difíceis em sala de aula. Quando isso ocorre, geralmente culpamos o aluno bagunceiro ou a má administração do ambiente escolar, mas o problema pode nem estar no aluno, na sala, na direção ou na coordenação. O problema pode estar em nós mesmos: no jeito em que tratamos as pessoas (no caso, os alunos), no jeito que acatamos ordens, no jeito que colocamos em prática nossos planejamentos. Erros são comuns. Temos só que aprender a lidar com eles de uma forma mais natural.

Também enfrentei momentos difíceis em sala de aula. Momentos onde pensei em desistir de tudo, ou nunca mais voltar a pisar em uma escola. Mas aprendi uma valiosa lição enquanto passava por todas as constantes adversidades e com meus erros.

Quando entrei para dar aula pela primeira vez, meu planejamento era um horror. Mal planejado, curto, sem atividades interessantes. Foi o meu maior erro e meu maior acerto. Errei ao trazer atividades muito infantis para crianças mais velhas. Errei ao dar jogos muito complicados. Errei ao gritar algumas poucas vezes.

Mas foi com o erro que fui me transformando. Me adaptando a uma nova realidade. Aprendi o quanto é importante acreditar no meu potencial profissional em primeiro lugar, sem jamais largar o meu lado predominante emotivo. São crianças! Elas precisam de atenção, carinho e cuidados que, muitas vezes, não encontram em casa. Era – e ainda é – complicado, para mim, ver uma criança com problemas em casa e, consequentemente com problemas na escola, e não poder fazer nada.

A autoridade também pode gerar erros. Você é autoridade em sala de aula, mas isso não te dá direito de inferiorizar o outro. Jamais um professor pode usar de sua autoridade para ridicularizar, prejudicar ou beneficiar um aluno.

Em 2017, nós, professores, e nós, seres humanos, vamos errar muito (na mesma proporção que acertamos, por favor). O erro te dá uma oportunidade de uma segunda chance para fazer melhor. E vamos deixar de culpar o outro por possíveis problemas pessoais. Mais amor, por favor.

* Este é o terceiro e último de três posts sobre educação que serão postados no mês de dezembro, visando uma educação de qualidade e forte em 2017.