Crônica – Racional

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Parei e me vi sentimental pela primeira vez. Não porque eu estava passando por um momento de sensibilização, mas porque passei por uma época de autorreflexão muito importante. Somos egoístas e pensamos que o mundo só gira por nós. Esquecemos que as outras pessoas também possuem sentimentos, felicidades e tristezas.

Não importa o que aconteça, sempre pensaremos algo negativo. A pessoa de quem gostamos não liga e nós ficamos imaginando milhares de coisas. De traição à morte, não queremos esperar para ver o real motivo que as pessoas deixaram de fazer o que estavam acostumadas. Isso acontece porque somos egocentristas. Acreditamos na nossa verdade: absoluta e irredutível.

Mas não se resume a isso. Uma simples mensagem – ou ausência dela – pode gerar minutos e talvez dias de tensão e sofrimento para uma coisa que, inesperadamente, possa ser simples. Talvez o celular ficou sem bateria, ou a pessoa leu e não pode responder.

A ansiedade é nossa maior inimiga. Queremos tudo na hora e do jeito que preferimos. Dificilmente paramos para ouvir os outros e isso é o maior erro que cometemos.

Ouvir o outro – seus medos, receios, amores e sentimentos – não se limita a um direito. É uma obrigação. Ignorar o sentimento dos outros é negar suas próprias razões. Acreditei por muito que a racionalidade seria muito melhor que a emoção. Hoje, continuo sendo racional, mas não posso esquecer que as minhas emoções são resultados de outras emoções e de outras pessoas.

Existem tantas coisas mais bonitas e relevantes na vida que perdemos pensando em coisas ruins, sem importância. O tempo vai passando, vamos ignorando as pessoas que estão ao nosso lado e acabamos perdendo cada vez mais os preciosos segundos da nossa vida. E mesmo que outrora tenham sido medíocres e egocêntricos com você, tente não reproduzir o que você desaprovou para as outras pessoas. Para um ciclo se encerrar é preciso encontrar algum esforço que está dentro de cada um de nós.

“Existe outro sentido, que esta na entrelinhas tentando se esconder.”

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Crônica: Mantra de um subjetivista

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Passei um bom tempo da minha vida acreditando que encontraria uma pessoa boa com quem eu pudesse ter como minha companhia. Os anos foram se passando e a cada nova pessoa que entrava minha vida, eu estava mais certo de que não precisava de ninguém do meu lado.

Os amigos começaram a ignorar, me excluíam dos planos, os amores foram se tornando fúteis e até minha família começou a traçar planos sem mim. Eu pensei que o problema estava em mim.

Foi nesse período que eu descobri que eu sou muito mais feliz do que acompanhado. As preocupações diminuem, as obrigações também. Não há cobrança, nem remorso. E comecei a acreditar que a companhia que eu tanto precisava estava dentro de mim.  Eu fazia o meu planejamento, eu viajava para onde eu queria, a hora que eu queria, não precisava ligar pra dar satisfação pra ninguém, ia onde eu bem entendesse. Aproveitei cada segundo vivendo para mim.

Se eu gostaria de ter alguém do meu lado pra fazer tudo isso? Talvez. Mas é só pensar que a linha entre paixão e decepção é tão tênue e que esse ciclo exige um tempo só, prefiro estar só e viver cada momento da minha vida do jeito que eu bem entender. Eu posso ir para um bar sozinho, posso ir até o shopping sozinho, posso cantar no chuveiro, posso viver uma realidade completamente diferente. Nós não precisamos de ninguém para nos sentirmos inteiros.