Aprendendo com os erros

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É um fato que as escolas atuais estão cercadas por avaliações formais. A nota é o que mais importa, o grito, a autoridade se torna superior e as relações sociais acabam se tornando escassas. Entretanto, tanto na vida, quanto na escola, aprendemos com o erro.

O erro é um meio de analisarmos um fato, uma afirmação incorreta ou atitudes desleais, tentando transformá-los em algo correto. Quando fazemos sempre certo, quando não erramos, não conseguimos pensar nas consequências que um possível erro poderia trazer para a sua vida. Com a percepção da incoerência, pensamos duas vezes no assunto, raciocinamos melhor e dificilmente iremos cometê-la novamente.

Na prática escolar é a mesma coisa. Todos enfrentam momentos difíceis em sala de aula. Quando isso ocorre, geralmente culpamos o aluno bagunceiro ou a má administração do ambiente escolar, mas o problema pode nem estar no aluno, na sala, na direção ou na coordenação. O problema pode estar em nós mesmos: no jeito em que tratamos as pessoas (no caso, os alunos), no jeito que acatamos ordens, no jeito que colocamos em prática nossos planejamentos. Erros são comuns. Temos só que aprender a lidar com eles de uma forma mais natural.

Também enfrentei momentos difíceis em sala de aula. Momentos onde pensei em desistir de tudo, ou nunca mais voltar a pisar em uma escola. Mas aprendi uma valiosa lição enquanto passava por todas as constantes adversidades e com meus erros.

Quando entrei para dar aula pela primeira vez, meu planejamento era um horror. Mal planejado, curto, sem atividades interessantes. Foi o meu maior erro e meu maior acerto. Errei ao trazer atividades muito infantis para crianças mais velhas. Errei ao dar jogos muito complicados. Errei ao gritar algumas poucas vezes.

Mas foi com o erro que fui me transformando. Me adaptando a uma nova realidade. Aprendi o quanto é importante acreditar no meu potencial profissional em primeiro lugar, sem jamais largar o meu lado predominante emotivo. São crianças! Elas precisam de atenção, carinho e cuidados que, muitas vezes, não encontram em casa. Era – e ainda é – complicado, para mim, ver uma criança com problemas em casa e, consequentemente com problemas na escola, e não poder fazer nada.

A autoridade também pode gerar erros. Você é autoridade em sala de aula, mas isso não te dá direito de inferiorizar o outro. Jamais um professor pode usar de sua autoridade para ridicularizar, prejudicar ou beneficiar um aluno.

Em 2017, nós, professores, e nós, seres humanos, vamos errar muito (na mesma proporção que acertamos, por favor). O erro te dá uma oportunidade de uma segunda chance para fazer melhor. E vamos deixar de culpar o outro por possíveis problemas pessoais. Mais amor, por favor.

* Este é o terceiro e último de três posts sobre educação que serão postados no mês de dezembro, visando uma educação de qualidade e forte em 2017.

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A indisciplina em sala de aula

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Na semana passada, falei um pouco sobre a autoridade em sala de aula. No artigo, dialoguei um pouco sobre como os professores estão tendo atitudes inadequadas e abusos de seu poder. Hoje, gostaria de falar um pouco sobre como o comportamento dos alunos pode influenciar, positiva ou negativamente, no processo do ensino aprendizado.

A escola mudou muito com o passar dos anos. É inegável que o comportamento dos professores – e também dos alunos – sofreu grandes e significativas transformações.

Antigamente, os professores eram bravos, rígidos, impunham o respeito através do medo – não muito diferente do que ocorre atualmente – e faziam uso de técnicas de punição com técnicas agressivas. A violência corporal estava muito presente: o uso da palmatória, alunos ajoelhando no milho e até os puxões de orelha eram comuns. A relação entre pais e filhos também oferecia ao professor tal liberdade na “educação” de seus filhos.

O trabalho, naquela época, era prioridade. Os jovens em idade escolar eram obrigados a trabalhar, o que deixava a escola em segundo plano. Hoje, os pais trabalham incansavelmente para poder oferecer mais de 10 anos de educação formal, onde os jovens se dedicam apenas à escola.

Mesmo assim, encontramos problemas. As crianças apresentam graves problemas de comportamento. Indisciplina está presente em quase 100% das escolas brasileiras, sejam elas públicas ou privadas.

Os motivos para a indisciplina são muitos! Mas, certamente, uma grande maioria está ligada às famílias pelos quais os jovens estão inseridos. A educação oferecida em casa está cada vez mais escassa. Os pais estão ausentes, seja por causa do trabalho, como por individualismo; O trabalho está tomando conta de grande parte do tempo que os pais poderiam estar com seus filhos; Muitos pais sofrem com dificuldades financeiras e acabam colocando uma grande parte de seu descontentamento em seus filhos. Fora isso, o núcleo familiar mudou.

Se formos falar de família, pensamos em vários modelos. Dois pais, duas mães, um pai e uma mãe, pai solteiro, mãe solteira, dois avós. Isso é importante para a diversidade. Essa variedade contribui para que possamos compreender e aceitar os indivíduos. Um grande problema que ocorre nas famílias atuais é que o cuidado dos filhos acaba sendo repassado para as avós. Muitos jovens estão sendo criado com suas avós, mesmo possuindo pais vivos, casados, mas ausentes.

A ausência dos pais, os problemas financeiros, o trabalho, divórcios, entre outros fatores, influenciam no comportamento da criança e do adolescente em sala de aula. Não generalizando, mas o professor deve entrar em uma sala de aula preparado para entender esses problemas e fazer de tudo para que eles não sejam exaltados em ambiente escolar. As crianças já sofrem muito em casa e não precisam ser criticadas e terem a autoestima diminuída também na escola.

A escola é um ambiente de aprendizagem, principalmente, mas também é um ambiente de cumplicidade, brincadeiras, alegrias e conquistas. O professor tem que ter em mente isso.
Agora, também não precisamos, como professores, aceitar tudo que os alunos fazem. Se um aluno continua a jogar suas folhas de exercício no chão, apenas ele está perdendo o conhecimento. Se ele insiste em jogar bolinhas de papel em seus colegas, ofereça uma atividade que distraia sua atenção. Tudo tem uma saída viável que não precise de desestabilização docente, nem de técnicas violentas ou de influência na autoestima.

Os alunos estão cada vez mais apresentando casos de indisciplina, mas, os motivos para isso são muitos e, cabe também a nós, professores, entender alguns motivos e evitar que eles se sobressaiam em sala. Sejamos mais humanos, sem perder nossa racionalidade, e resilientes. Nem todo mundo é ruim porque quer.

* Este é o segundo de três posts sobre educação que serão postados no mês de dezembro, visando uma educação de qualidade e forte em 2017.