Crônica – Racional

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Parei e me vi sentimental pela primeira vez. Não porque eu estava passando por um momento de sensibilização, mas porque passei por uma época de autorreflexão muito importante. Somos egoístas e pensamos que o mundo só gira por nós. Esquecemos que as outras pessoas também possuem sentimentos, felicidades e tristezas.

Não importa o que aconteça, sempre pensaremos algo negativo. A pessoa de quem gostamos não liga e nós ficamos imaginando milhares de coisas. De traição à morte, não queremos esperar para ver o real motivo que as pessoas deixaram de fazer o que estavam acostumadas. Isso acontece porque somos egocentristas. Acreditamos na nossa verdade: absoluta e irredutível.

Mas não se resume a isso. Uma simples mensagem – ou ausência dela – pode gerar minutos e talvez dias de tensão e sofrimento para uma coisa que, inesperadamente, possa ser simples. Talvez o celular ficou sem bateria, ou a pessoa leu e não pode responder.

A ansiedade é nossa maior inimiga. Queremos tudo na hora e do jeito que preferimos. Dificilmente paramos para ouvir os outros e isso é o maior erro que cometemos.

Ouvir o outro – seus medos, receios, amores e sentimentos – não se limita a um direito. É uma obrigação. Ignorar o sentimento dos outros é negar suas próprias razões. Acreditei por muito que a racionalidade seria muito melhor que a emoção. Hoje, continuo sendo racional, mas não posso esquecer que as minhas emoções são resultados de outras emoções e de outras pessoas.

Existem tantas coisas mais bonitas e relevantes na vida que perdemos pensando em coisas ruins, sem importância. O tempo vai passando, vamos ignorando as pessoas que estão ao nosso lado e acabamos perdendo cada vez mais os preciosos segundos da nossa vida. E mesmo que outrora tenham sido medíocres e egocêntricos com você, tente não reproduzir o que você desaprovou para as outras pessoas. Para um ciclo se encerrar é preciso encontrar algum esforço que está dentro de cada um de nós.

“Existe outro sentido, que esta na entrelinhas tentando se esconder.”

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