Texto aleatório: Qual é a graça?

Há muito tem se perguntado sobre o tal limite do humor, qual seria ele e se alcançá-lo levaria a algum lugar. De uns tempos para cá, o mundo mudou. A sociedade mudou acompanhada por transformações culturais significativas para entendemos qual é o humor presente atualmente.

Estou em sala de aula há algum tempo e lido com jovens a maior parte do tempo e recentemente vi uma ligeira mudança sobre o que os faz rir. Há uns dias, um aluno meu gritou: “olha o gás”. A sala inteira riu, a concentração se dispersou e os últimos minutos que restavam da aula foi marcado por outras brincadeiras insignificantes.

Não foi a primeira vez que isso ocorreu e as risadas são ainda mais intensas quando alguns colegas são ridicularizados. Parece que eles se sentem felizes ao ver que outra pessoa se está incomodada.

Hoje, jovens – e adultos também – riem de tudo. Tudo é motivo de graça e gozação. Não que isso seja uma coisa ruim, muito pelo contrário. O que ocorre é que esse tipo de humor se transformou em poderosas armas de controle. Piadas estão sendo feitas para atacar pessoas – conscientemente ou não – e brincadeiras se tornaram bobas, fúteis e irrelevantes.

Isso não só resulta em uma banalização de coisas simples do cotidiano, como acaba influenciando o bullying, já que muitos espectadores se divertem com as agressões às vítimas. 

Vejamos, se voltarmos para um passado não tão distante, encontramos um tipo de humor ingênuo e inteligente de Mr. Bean. Pode até ser que achemos esse tipo de humor bobo e ultrapassado, mas era livre e preconceitos e até hoje se torna atual.

Outro exemplo é Charlie Chaplin, que mesmo sem falar, fez muita gente rir.

Os conceitos de humor mudaram, assim como a sociedade mudou, mas não posso, como ser humano, de consciência e respeito, apoiar piadas machistas, preconceituosas, xenofóbicas e sem conteúdo. Rir é o melhor remédio, certamente, mas que seja um “rir” com benéficos motivos e sem detrimento de ninguém. Não existe um limite para o humor, mas existe respeito e consideração, muito mais importantes que qualquer piada.

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