A autoridade em sala de aula

professor

Há tempos não escrevo sobre educação, mas preciso tratar um assunto que há muito me deixa indignado. A educação é a forma mais consistente que o ser humano possui para adquirir conhecimento, seja ele científico, moral ou social. É por onde temos um mestre determinado a repassar seu conhecimento e, ao mesmo tempo, aprender com seus alunos.

Entretanto, se pudéssemos ver todos os professores dessa maneira, talvez não teríamos tantos problemas no processo de ensino-aprendizagem como enfrentamos atualmente.

Cada ser possui uma particularidade que o identifica na diversidade. Uns são mais alegres, outros mais fechados, uns mais bravos e outros mais espontâneos. A diversidade depende dessa diferença, assim como a escola. Em um ambiente onde dissemina conceitos, ideias e valores, a diversidade deve ser valorizada.

Tudo bem. Respeitamos as diferenças entre os indivíduos. Compreendemos que um professor é mais rígido, enquanto outro é mais amável. Se compreendêssemos isso, talvez não teríamos tantos problemas nas escolas.

Mas não é isso que ocorre. Muitos alunos não gostam de ir para a escola. Muitos alunos veem a escola como uma verdadeira prisão, onde são obrigados a passar mais de 4 horas diárias. Está certo que em casa eles têm muito mais liberdade para fazer o que querem, brincar a qualquer momento e ter um limite imposto por seus pais. Mas será que a aversão das crianças ao ambiente escolar se deve apenas à instituição – historicamente construída – chamada “escola”?

Não. A escola é resultado de uma história com eventos próprios e influências militares, religiosas e sociais. Grande parte do resultado atual é composto pelo trabalho do professor. E hoje farei uma crítica a nós, professores.

A criança vai para o ensino infantil, encontra professores carinhosos, que estimulam as brincadeiras e o desenvolvimento físico e mental. Passa para o ensino fundamental 1 e encontra professores que tentam, ao máximo, explicar como as coisas acontecem no mundo. Quando entra no ensino fundamental 2, começa a se frustrar. Por que gostávamos tanto de ir à escola quando éramos pequenos? Por que temos lembranças tão boas e recorrentes daquele tempo?

Porque quando entramos no ensino fundamental 2, encontramos professores que amedrontam, que intimidam e se utilizam da autoridade para impor medo.

Exatamente isso. O aluno com 11 anos, encontra um professor de português, matemática ou geografia que quer dar uma prova extremamente complexa para punir um aluno que desobedeceu alguma regra no início do ano, por exemplo. O aluno faz a prova, tira uma nota baixa, se frustra, se sente incapaz e, consequentemente, se desestimula em tal assunto.

Os professores estão tendo comportamentos inadequados. Desobediência sempre teve e sempre terá. Mas hoje, temos um dever de incentivar nossos alunos ao gosto do estudo. Ao gosto de estar presente na sala de aula. Muitos alunos enfrentam problemas em casa, convivem com violência e descaso. Muitos não precisam ser humilhados também pela escola. A humildade parece estar cada vez mais distante de muitos professores.

Muitos docentes parecem ter prazer ao ver um aluno indo mal, ou em ver que a sala inteira foi mal em determinada avaliação, ou em ter 15% de aprovação de determinada disciplina. Prova não é castigo. Nota de prova não determina sucesso profissional, nem fixação de conteúdos.

Mas a nota ainda é um fator de reprovação. Fator esse determinado pelos professores, por uma autoridade.

Não custa nada o professor ter uma conversa amigável com um aluno que enfrenta dificuldades na aprendizagem, ou com o aluno que mais dá problema em sala. Por que não trocamos as provas difíceis como punição, as falas agressivas, o grito excessivo e o prazer em ver um aluno indo mal, por um diálogo aberto, uma conversa amigável, um conselho e por aprendizagem efetiva?

Eu falo tudo isso porque vivi tudo isso. Presenciei e vi conhecidos e futuros professores repetindo esteriótipos de seus antigos professores abusivos. Se não aprendermos com a história, continuaremos a repetir os mesmos erros e a educação nunca mudará.

Professor reclama da educação, mas ele é a base necessária para fazer esse ciclo mudar. A profissão de professor não se reduz a simplesmente se colocar em um pedestal e fazer uma apresentação para 30/40 alunos, espectadores de um show. E, por favor, caro colega de profissão, você não precisa ser malvado para ser ouvido, nem respeitado. Ser professor não é ser amedrontador. Ser professor é ser solidário. Ser professor não é ser orgulhoso, é ter humildade. Humildade para aceitar que uma hora os papéis podem se inverter e você, como professor, pode aprender muito com seus alunos.

* Mas é claro, também, que não somos os únicos culpados pelas escolas estarem como estão.

* Este é o primeiro de três posts sobre educação que serão postados no mês de dezembro, visando uma educação de qualidade e forte em 2017.

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Um comentário em “A autoridade em sala de aula

  1. Muito bom !!! Um caminho para a mudança de atitude de certos professores para 2017 em relação aos seus alunos. Que venham novas propostas de educar com amor e humildade. Respeito a gente conquista com atitudes de carinho, valorização, criatividade e ética.

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