Disseram que o brasileiro fala mal inglês

disseram.JPG

Na semana passada, uma pesquisa mundial revelou que o brasileiro fala mal inglês. Essa contou com a participação de quase um milhão de pessoas de 72 países e o resultado do Brasil é negativo pelo sexto ano consecutivo.

Primeiramente, ninguém é obrigado a falar inglês. Há um grande problema em nossa sociedade que praticamente nos obriga a aprender um segundo idioma. Não negarei, no entanto, que ser bilíngue traz inúmeros benefícios, tanto na sociedade como no trabalho. Você pode se relacionar com novas pessoas e ter oportunidades melhores de emprego. Mas ainda encontramos grandes problemas no que se refere ao ensino dessa língua no país.

Um grande erro do brasileiro é achar que entrando em cursos voltados para a língua inglesa terão sucesso imediato e sem esforço. Muitas vezes acham que serão fluentes quando acabarem o curso. Um idioma que não seja o nosso nativo dificilmente será fluente. Cada cultura, cada nacionalidade que apresenta um idioma próprio possui sotaques que refletem em os demais idiomas que o indivíduo tentar aprender. O americano tem sotaque ao falar o português, o mexicano tem sotaque ao falar o inglês, o francês tem sotaque ao falar o espanhol.

No entanto, o ensino de uma língua estrangeira no Brasil é bem precário. Muitos professores não sabem nem falar inglês da maneira correta, quem dirá saberão ensinar quem realmente não sabe. A língua estrangeira que é ensinada em quase todas as escolas brasileiras é o inglês, por sua influência mundial e por ter um grande lugar de destaque no mercado de trabalho. Quem sabe falar inglês tem importantes benefícios no trabalho.

Mas por que ainda não falamos bem o inglês?

Não sou professor de línguas, mas em toda minha vida passei por vários cursos de idiomas – 3 para ser mais exato – além do inglês do meu ensino fundamental e médio.
No ensino fundamental, temos uma disciplina voltada para aprender o verbo to be. Aprendi? Sim. Logo no ensino médio, aprendemos os verbos e suas modalidades. Aprendi? Sim. Mas e a prática? Simplesmente não existe prática na escola. Você só aprende a teoria básica, mas não sabe como utilizar. Você estuda e estuda para passar na avaliação e depois acaba esquecendo tudo. Não há nenhum tipo de fixação.

No primeiro curso de línguas, a mesma coisa: teoria, verbos e complete as lacunas com as palavras. No segundo: teoria, teoria e teoria. No último, já em aula particular para tentar conquistar um pouco de conversação: teoria, teoria e avaliações. Tudo é muito repetitivo e chato. Você pode ficar cinco anos em curso de idiomas e nunca aprender a falar inglês.

Conclusão: desisti dos cursos e fui aprender por conta própria. Eram vídeos, filmes, séries e músicas que foram aprimorando meus conhecimentos, meu vocabulário e minha pronúncia.

Você só acaba aprendendo efetivamente algo se a teoria tiver ligação com a prática. A criança não aprende com uma frase sem sentido em seu livro didático. Ela aprende com um filme com áudio e legendas em inglês. Ela precisa saber o real motivo pelo qual ela está aprendendo uma nova língua e como ela pode usar no dia a dia.

Outro ponto a ser mudado, é a conversação. Ninguém treina com ninguém. Todo mundo se acomoda em seu idioma nativo, sem praticar com seu colega. A troca de conhecimentos é válida, não só para idiomas, mas para todas as disciplinas. Um aprende com o outro.

Se continuarmos com o ensino de línguas do jeito que está sendo atualmente, enfrentaremos grandes problemas por “achar que falamos inglês corretamente”. Mas não falamos. E percebemos isso logo quando entramos em um aeroporto, ou antes mesmo, quando vemos alguém na rua, falando inglês e não entendemos praticamente nada.

O brasileiro realmente não sabe falar inglês. Também fala mal, como sugere a pesquisa. Mas temos vários fatores que continuarão intactos e que contribuem para continuarmos sem falar inglês corretamente. Um idioma tão complexo e importante deve ter uma atenção maior e além do ambiente escolar. Precisamos ler, escrever, ouvir através de instrumentos que utilizam a língua inglesa como língua nativa. São milhares de músicas, filmes, séries e livros disponíveis para auxiliar nesse processo. Só depende de nós. Só depende, na verdade, de quem realmente quer aprender a falar inglês.

Anúncios

Crônica: (In)Felicidade

cronica-priva

Eu estava no melhor momento da minha vida. Tinha tudo o que eu poderia querer. Uma casa no lugar onde mais adorava, amigos que me veneravam, um emprego bom e uma faculdade excelente.

Eu estava no meu quarto, ouvindo o novo álbum de jazz que eu adorava. A vista da minha janela era incrível. O sol batia nos prédios, as montanhas ao fundo, tudo contrastava em perfeita harmonia. Enquanto as canções iam passando, eu ia atribuindo a cada uma um pedacinho de cada momento bom que passei naqueles bons meses.

Um pouco depois, tudo mudou. Aquele cenário de bonança, de felicidade e alegria se foi. Comecei a passar por momentos turbulentos. Quando tudo começou a dar errado, me proibi de ouvir aquele álbum que outrora me trouxera tanta felicidade. Eu adorava aquelas músicas e fui privado de ouvi-las até que tudo voltasse ao normal.

Nunca voltou. Perdi um tempo me privando de várias coisas. Envelheci sem ter feito nada, porque me privei de fazer tudo. Não quero mais nada disso. Só quero ouvir aquelas músicas que um dia me fizeram tão bem.

Meio tarde agora. Aqui, nesta cama de hospital, nada posso fazer. Não posso pedir pra ninguém buscar aquele vinil. O jazz me acalmaria. Aquelas músicas me trariam uma felicidade momentânea que tanto preciso agora. Se eu soubesse disso antes, jamais teria me privado de algo. Não se privem, por favor.

Until I feel alright
I’m gonna fake it.