Memórias…

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Quisera eu ser capaz de esquecer as coisas, esquecer pessoas, acontecimentos e tristezas. Seria tão mais fácil! Quisera eu ter uma mente capaz de filtrar os acontecimentos, deixando apenas as vivências boas e felizes. Por qual motivo, então, se a felicidade é tão boa e as tristezas tão ruins, não somos capazes de esquecer o que queremos?

Tudo o que acontece em nossas vidas, ocorre sob um propósito. Nossa juventude é cercada de incertezas e passar por situações complicadas ajuda a formar nosso caráter. Se esquecêssemos tudo o que passamos, certamente não vivenciaríamos todas as experiências necessárias para sermos mais fortes e decididos.

Quando adultos – independentes e estabilizados, financeiramente e emocionalmente – acabamos esquecendo fatos do agora, coisas simples como: o que fomos comprar no supermercado, qual o melhor caminho para ir ao trabalho ou qual é o dia da reunião de pais e mestres da escola de meu filho. Nossa rotina está cada vez mais intensa e os dias passam, consequentemente, em uma velocidade bem mais rápida que o normal. O tempo se torna escasso e o trabalho, mais pesado.

Quando envelhecemos, esquecemos o que queremos e o que não queremos. Naturalmente, o esquecimento se torna parte de nossas vidas quando nos tornamos idosos. Nossos filhos já estão longe, não se importam tanto mais conosco e o tempo livre se torna excessivo. As viagens podem ser frequentes, o dinheiro já não é tanto problema, mas o desejo de ter a memória funcionando 100%, tal como era há 40 anos, é mais intenso. O sonho de voltar no tempo e viver tudo novamente também está presente. Mas… Sobre o que estávamos falando mesmo?

Nossa vida não é cercada de momentos bons, nem deve ser – exclusivamente – cercada de momentos felizes e agradáveis, pois é nos momentos de dificuldades que aprendemos mais. Os momentos ruins nos fazem amadurecer, além de serem eles que nos faz com que não cometamos erros semelhantes no futuro.

Essa ideia de “como eu queria esquecer isso/aquilo” é obsoleta. A memória é um bem muito importante para nossa vida e o esquecimento faz parte dela. Entretanto, selecionar o que queremos esquecer não é um posicionamento positivo, pois os momentos que geralmente queremos esquecer, são os que mais nos fazem crescer. Viva, sofra, chore, ria, arrependa, viva novamente e construa memórias progressivamente. Nada de esquecimento, nem sofrimento.

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Um comentário em “Memórias…

  1. Pedro você conseguiu com que a definição de memória , como a falta dela, se tornasse um fator determinante para o nosso amadurecimento. Hoje vivemos em um mundo onde a memória se tornou vilã do envelhecimento…mas, ela é na verdade uma criadora de histórias…histórias de vida.

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