Crônica: The Mermaid Parade

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¡Ay muchachos! – Disse aquele rapaz na primeira vez que eu o vi. Era a famosa “The Mermaid Parade” realizada na Coney Island, no Brooklyn. O ignorei por algum motivo naquela noite e, por isso, me arrependi por muitos anos.

Era um homem de negócios! Rico, nem um pouco humilde, péssimo barman, com péssimas piadas e com uma insegurança muito maior que a minha. Ainda não descobri o porquê ele me chamou atenção. Somos tão diferentes! Talvez tenha sido o seu sorriso ou aquele jeito de me encarar, o jeito ansioso quando eu entrava ou a tentativa meio frustrante de me fazer a melhor bebida, a timidez para puxar papo ou aqueles três “olás” que eu recebi, o medo de chegar até mim para dizer seus sentimentos ou ter em minha mente que ele nunca poderia ser meu.

Acho que a última opção é a mais cabível. Vejamos: o amor platônico é incrivelmente interessante, muito menos estressante. É por onde você pode imaginar coisas, sonhar e criar planos incríveis e duradouros. A parte ruim de tudo isso é saber que tudo isso nunca poderá se concretizar.

Mas, se compararmos ao amor concretizado, temos um sofrimento muito amenizado, mais tranquilo e que você pode esquecer de uma maneira bem mais rápida e indolor. Tenham um amor platônico! Tudo se resolve com ele!

É verdade… Tudo se resolve com ELE. E enquanto eu tentava mudar o meu jeito para tentar agradar o maior número de pessoas possível, eu fiquei preso em meus próprios pensamentos, em meu próprio sentimento.

Por anos eu fiquei preso no que as pessoas achavam de mim: se aquela roupa ia me deixar elegante, se iam notar que eu estou com aquele acessório diferente ou se ele perceberia que eu cortei meu cabelo. Ele continuava olhando pra mim, parado, ainda preocupado comigo. Mas aquele pobre rapaz continuou firme até o final. E eu também. Nenhuma palavra de lá e nenhuma palavra de cá. Muitas indiretas de lá e muitas indiretas de cá.

Eu cansei. Preciso de liberdade!

Agora eu estou partindo. Talvez eu volte (e eu realmente espero que sim) e ainda poderei ver aquele rapaz por muitas e muitas vezes. Ele me deu um abraço apertado, como jamais havia dado antes, ficou parado (talvez esperando eu dizer alguma coisa), disse que sentiria saudade da minha presença nas quintas e eu culpo o meu orgulho por ter deixado de lado o que poderia ser o grande amor da minha vida.

Hoje eu voltei, tentei revê-lo e encontrei aquele rapaz, ainda charmoso, mas agora casado. Talvez feliz, mas os sorrisos continuam os mesmos. Ah! Como senti falta daquelas olhadas é daqueles sorrisos! Mas eu me controlei. Tomei meu último mojito, paguei a conta, fui em direção ao meu carro, não olhei para trás em momento algum e, finalmente, me libertei.

E foi tão fácil te esquecer mesmo porque isso já tava no meu plano.

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