A sobrevivência em tempos tecnológicos

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Estamos na era tecnológica. Isso não é nenhuma novidade. A internet está acessível em todos os cantos do mundo, todas as pessoas – independentemente de sua classe social – possuem um telefone móvel e o acesso à informação – de qualidade ou não – está mais fácil e rápida. Nossa relação com os meios tecnológicos está cada vez mais firme e intensa, o que acaba atrapalhando diretamente nossas relações sociais.

Não estamos aproveitando os nossos momentos mais belos. Até os mais simples atos passam despercebidos com o uso exacerbado das tecnologias. O tempo passa muito rápido e, se deixarmos passar um simples jantar com amigos, perderemos bons minutos de conversa que significariam muito!

Um show, por exemplo, é um momento de diversão e relaxamento. Logo quando a apresentação se inicia, todo mundo está com os celulares em mãos, prontos para fotografarem, filmarem e gravarem todo o áudio do show da melhor maneira possível. Postam uma foto no Instagram, com uma legenda de que aproveitou muito o show, mas, no fundo, só se preocupou em tirar fotos – embaçadas, com luz estourada e tremidas – e mal sabe qual foi a lista de canções tocadas pelo artista.

O Facebook então, é outra praga. Ficamos reféns do feed de notícias. Ficamos dependentes de tirar fotos para postar, tentando elevar uma falsa autoestima que esconde seu verdadeiro sentimento. Uma viagem nunca acaba sendo uma viagem. Acaba sendo mais uma oportunidade de mostrar o quanto sua vida é melhor que a do outro. Será que isso é verdade? Será que precisamos mostrar para o outro o que podemos ou não fazer?

As notícias, agora, são difundidas com mais rapidez. Um boato pode se disseminar na internet sem controle algum. As pessoas acreditam em tudo o que veem na internet. Tudo é válido! As fontes não importam!

Quantas conversas perdemos porque ficamos vendo as atualizações no celular? Jantares em família não conseguem manter uma linha lógica. Os pais tentam conversar, os filhos se distraem, os primos sentam em outros lugares em busca de um melhor sinal de Wi-Fi e os avós, bisavós ficam perdidos em meio de tanta mudança que não conseguiram acompanhar.

Uma ida ao bar com os amigos já não é a mesma coisa. Primeiro uma foto para postar nas redes sociais, depois a relação social. Um quer conversar e tem interesse em deixar a internet móvel desligada, enquanto o outro não deixa de responder uma mensagem no WhatsApp com alguém que mal conhece. Nós acabamos trocando quem está do nosso lado, pronto para nos ouvir e dar toda a atenção do mundo, por segundos trocados com alguém que está há quilômetros de distância. A impessoalidade reina no século XXI.

Os bens de uso pessoal estão se tornando descartáveis e caros. E todos fazem esforços inacreditáveis para conquistá-los. Exemplo: você compra um smartphone perfeito hoje! Em 6 meses você começa a perceber que a bateria não dura como antes, que o seu celular já não é tão bonito quanto antes, que um determinado app não é condizente com o seu telemóvel e que o sistema operacional atualizado faz seus aplicativos travarem a ponto de você ter que comprar um novo aparelho. E o ciclo da dependência recomeça.

Não serei hipócrita em dizer que não me encaixo em nenhuma das situações descritas anteriormente e, creio que você, leitor, também se encaixa em, pelo menos, uma delas. Somos reféns de meios tecnológicos que, mesmo tentando escapar, nos puxam, nos retrocedem para o mesmo ponto em que nos encontramos agora: o tempo passa a medida que rolo meu feed do Facebook para baixo, que vejo todas as imagens do Instagram e verifico todos os tuítes dos meus amigos. E olha que eu nem falei do Swarm, do Timehop, do Snapchat… A lista é imensa! Até quando perderemos amigos, familiares, momentos e alegrias? Até quando seremos escravos da tecnologia?

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Crônica: Sob a luz do luar

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Deitei na grama aquela noite. Como se não bastasse, eu estava pronta para dormir. Meus cupcakes de chocolate estavam deliciosos (pena que as formigas acharam o mesmo). A cesta de piquenique ao meu lado já estava praticamente vazia. Eu só queria que meus pensamentos também.

Eu até tinha marcado com uma pessoa para participar desse encontro lunar comigo. As estrelas contribuiriam totalmente para um clima romântico. O ar estava gelado, mas, ainda assim, acolhedor. Essa pessoa não veio e por isso estou aqui mesmo assim.

Sempre estive esperando pela pessoa perfeita para estar ao meu lado. Estereotipei tudo o que foi necessário para criar uma imagem perfeita. Descobri, nesta mesma noite, que perfeição não existe. Como a própria lua não pode ser perfeita, pessoas também não. Eu também não. Eu erro demais.

Mas tenho certeza de uma coisa. Não errei em estar aqui, sozinha, essa noite. Estou passando por horas agradáveis, sem estresse, nem angustia. O céu está lindo, as estrelas brilhantes, as árvores acompanhando o movimento da brisa invernal.

A lua, corpo mais belo do sistema solar, estava encoberta. Se fosse há uns dias, diria que eu teria perdido a noite. Mas não. A lua pode não estar presente, mas o belo cenário em que eu estava presente foi o suficiente para eu perceber que a beleza é uma situação estereotipada, certamente, mas ela está muito mais presente nas pequenas atitudes, nos detalhes que antes passavam despercebidos. Estou aprendendo ver a beleza nas pequenas coisas.

Sim! Se você olhar para o lado, com certeza haverá alguma coisa irá te fazer sorrir. Lá que se encontra a verdadeira beleza.

Apesar de estar sozinha aqui, nunca me senti tão livre. Posso demorar ainda muito tempo para encontrar uma companhia a altura dos meus interesses e que complemente uma felicidade que construí sozinha… É difícil, eu sei. Mas não tenho pressa, estarei te esperando…

Patience, darling
Wait for the night
Darkness comes and love comes alive