Artigo de Opinião: Sobre a literatura infantojuvenil atual

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Eu estava no site da Saraiva, há alguns dias, em busca de uma possível pré-venda da nova obra de Ana Beatriz Barbosa Silva, “Mentes Depressivas”, quando eu me deparei com milhões de novos livros voltados ao público infantojuvenil. Foi a oportunidade que tive para fazer um pequeno paralelo com a literatura infantil da atualidade, com a literatura juvenil redigida antes dos anos 2000.

Sou um verdadeiro apaixonado por literatura. Já li muito sobre diversos assuntos e literatura infantojuvenil sempre me despertou interesse. Eram horas lendo “Menina bonita do laço de fita”, “A Droga da Obediência”, “O Mistério dos Cinco Estrelas” ou “O escaravelho do diabo”, estes três últimos da conhecida coleção Vaga-Lume. O clima de suspense, a vontade de terminar de ler uma obra só porque o clímax era interessante demais e o desejo de poder chegar na escola e discutir sobre as temáticas com os colegas era muito instigante.

A literatura é a primeira forma de contato da criança com o mundo das letras. Desde pequenos, encontrarão em livros, uma nova forma de ver o mundo, uma forma de imaginação, contentamento e conhecimento. É por onde podem ter ideias para redigir seus próprios textos, onde podem verificar a grafia das palavras e podem comparar as diversas maneiras de escrever. Ler é, incontestavelmente, a melhor maneira que a pessoa tem de aprimorar sua redação e sua fala com os demais.

Com o passar dos anos, a internet e os demais meios comunicativos tiraram um pouco da atenção voltada para os livros. É inegável que as crianças e jovens de hoje prefiram ficar vendo vídeos no computador do que pegar algum livro para ler. É inegável também que as demais indústrias e editoras foquem nos artistas e fenômenos momentâneos para aumentar sua forma de arrecadação.

Os youtubers – os artistas criados pelo Youtube – representam algumas dessas pessoas que saíram da internet diretamente para o mundo literário, escrevendo livros sobre vida ou trabalho, voltados para um público gigantesco, formado majoritariamente por crianças e adolescentes.

Ok. São livros e os jovens precisam ler. Mas será que, nesses livros de youtubers e atores, teremos qualidade e conteúdos apropriados e importantes para o crescimento desses jovens? A resposta pode ser até confusa, mas fico ainda mais chocado quando eu vejo um livro, cujo subtítulo apresenta uma palavra escrita erroneamente – e propositalmente – em um livro infantojuvenil.

Não que eu seja uma pessoa inteligente demais, nem muito menos seja um chato que corrija o português e que defenda a linguagem culta. Mas estamos falando de livros voltados para um público que ainda não tem opinião formada sobre alguns assuntos e que ao se depararem com um livro – que outrora já foi fonte de cultura e redação correta e sem erros – com erros ortográficos sem sua capa, podem associar um simples erro proposital a sua forma correta de redação. Isso não pode acontecer jamais.

Não, não consegui encontrar o livro da Ana Beatriz na pré-venda de nenhuma livraria virtual. Prezo sim pela cultura e apoio os livros de youtubers para o público infantojuvenil. É uma fonte que encontraram para que os jovens voltassem a ler como antigamente. Isso é um fator muito positivo. Mas vamos cuidar um pouco do conteúdo. Ler algo sem conteúdo é a mesma coisa que não ler nada. Ler algo com erros, é pior ainda. Eu ainda acredito que tudo mudará, que as futuras gerações irão se interessar mais pela cultura literária e que a valorização do que é passageiro e inculto seja reduzida, sem haver detrimento da internet. Os dois caminham juntos. Fim.

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4 comentários em “Artigo de Opinião: Sobre a literatura infantojuvenil atual

  1. A literatura para criança é comprada e feita por um adulto. E esse adulto realmente sabe o que a criança precisa? As vezes parece que qualquer um pode fazer um livro pra vender a uma criança. Acho que deve haver sim o cuidado com o conteúdo.

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    1. Exatamente o que eu penso! O fato é que só quem convive com crianças consegue compreender as necessidades de aprendizagem delas e consegue colocar em papel as coisas que elas gostam e têm contato diariamente. E é uma pena que nossas crianças não saibam escrever livros ainda, pois teríamos maravilhosas obras literárias, de crianças para crianças! Obrigado pelo comentário! 🙂

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  2. Hoje em dia vejo que muitas vezes os livros não são escritos por amor a histórias, mas sim por sede de fama! Falta um pouco de estímulo aos escritores brasileiros que passam a vida correndo atrás de divulgação enquanto pessoas como Kéfera, entre outros, vendem aos montes palavras vazias!

    Curtido por 1 pessoa

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