Artigo de Opinião: Uma reflexão sobre o feminismo e a indústria musical

kesha

Este artigo foi escrito após o lançamento do vídeo de Jennifer Lopez para a canção I ain’t your mama. O clipe tem forte baseamento feminista, mostrando a cantora lutando contra várias situações típicas e machistas. Entretanto, a canção e o clipe vêm sendo muito criticados, já que a canção tem como co-produtor, Dr. Luke, acusado de violentar sexualmente a cantora Kesha.

Em 2014, Kesha entrou com uma ação contra seu produtor Lukasz Gottwald, mais conhecido como Dr. Luke. A cantora americana o acusa de praticar abusos sexuais, físicos e psicológicos, além de oferecer drogas e álcool para que ela ficasse menos inibida.

O caso de Kesha e Luke não passa de uma das cenas que mais se repetem na sociedade atual. Os abusos às mulheres são constantes. Vítimas, silenciadas ou não, são submetidas as mais variadas formas de violência. O estupro é uma delas, mas não é a única. Disparidades salariais, desigualdade de gênero e fortalecimento de antigos esteriótipos, por exemplo, são exemplos dessas agressões, que podem não ser físicas, mas igualmente geram consequências.

Seria clichê dizer que devemos buscar a igualdade de gênero, mas é um dever óbvio. Não deveriam existir brigas ou intensas manifestações para exigir o óbvio. O fortalecimento das atitudes respeitosas deveria constituir a base da convivência social. Se um respeitasse as escolhas, os desejos, o modo de pensar, de vestir do outro, mutualmente teríamos uma relação muito proveitosa.

I ain’t your mama tem letras marcantes sobre a dominação machista sobre as mulheres. Sua proposta ao apoiar e proteger as mulheres é um dos aspectos positivos da canção e de seu clipe. Já que a defesa do poder feminino na sociedade é a base da canção, trabalhar, mesmo que indiretamente, com um acusado de estupro a uma mulher, ela acaba perdendo seu sentido.

No Brasil, o feminismo nunca esteve tão presente. No mundo musical, temos um recente exemplo de Clarice Falcão, onde o lucro obtido pelas vendas do fonograma “Survivor” seriam revertidos para o projeto Think Olga, dedicado ao “empoderamento feminino por meio de informação”. O site do projeto conta com interessantes artigos sobre as conquistas e conscientizações para mulheres sobre seus direitos, defesas e crença em seu próprio modo de pensar. É um espaço para expor opiniões e exprimir apoio ao movimento feminista. Não é necessário ser mulher para apreciá-lo.

Por fim, o movimento feminista não é exclusivamente feminino. A vida em sociedade depende de uma cultura voltada à aceitação das diferenças, respeito mútuo e igualdade. Enquanto tivermos uma cultura machista que apoie a violência e a vulgarização à mulher, não teremos avanço. Essa é uma luta de todos.

Para conhecer o projeto Think Olga, acesse este link. Para comprar a canção de Clarice Falcão e apoiá-lo, clique neste link.

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