Breve reflexão sobre a descartabilidade social

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O século XXI é, definitivamente, o século das maiores transformações tecnológicas, científicas e sociais. É onde a insensibilidade ganha vida. O respeito é ausente, consideração muito menos e amor, nulo. É a geração de maior descartabilidade. Você aproveita uma situação – porque certamente seus interesses são superiores – e você descarta quando não há mais necessidade. Os empregos estão descartáveis, assim como a educação, as pessoas, as emoções, os amores e os relacionamentos. É a época em que praticamente tudo se resume a objetos palpáveis, de uso e desuso.

É um problema que já se inicia na infância. Se um brinquedo quebra, o pai logo compra outro pra substituir. Não há mais o interesse em consertar. Usou, quebrou e jogou fora. É um ciclo. Essa criança talvez crescerá com a ideia de tratar bem uma pessoa só porque pode precisar dela no futuro, ou, quem sabe, terminará um relacionamento porque conheceu uma pessoa mais bonita, ou alguém que saia melhor na foto das redes sociais.

Devemos essas mudanças às rápidas transformações do meio técnico-científico-informacional, que nos tornou superficiais, a ponto de crer em qualquer texto, imagem ou vídeo. O sentimentalismo se tornou obsoleto. Descartamos nossas ideias, porque alguém escreve melhor sobre elas, ou porque você não se sente bom o suficiente para colocá-las em prática. Descartamos amigos porque temos milhões de colegas que podem substituí-los. Descartamos amores, porque a subjetividade é muito melhor.

Mas no fundo sabemos que todos os nossos descartes são falhos, incoerentes e prejudiciais. Mas ainda insistimos no erro. Insistimos no erro, até o ponto em que encontramos alguém que não acredite que a descartabilidade de pessoas seja algo válido. Alguém que abra nossos olhos para um mundo em que seja possível acreditar em sociabilização, cooperação e emoção.

É com a conscientização que se dá a mudança. Não importa a idade, nem o que esteja fazendo. Mesmo que você esteja feliz com tudo que esteja acontecendo, mudar faz parte da ciclo de vida do ser humano. Mudar um trajeto até o trabalho, mudar uma estratégia na compra de algum produto ou mudar um gesto com alguma pessoa que você ame. Inconscientemente já planejamos as mudanças.

Pessoas não são objetos, sentimentos não são comprados em lojas e ideias não são conquistadas da maneira mais fácil. O abstrato não deve ser resumido a objeto. O subjetivismo não deve tomar o primeiro lugar. A descartabilidade social não deve ser estimulada, nem apreciada. E que assim seja.

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